Os dez campi da Unipampa criam GT (Grupo de Trabalho) para criar editora própria
por Giovani Andreoli
A Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT) realizou o workshop “Editoras Universitárias Públicas: implantação, estrutura e experiências” nos dias 10 e 11 de julho, com transmissão por webconferência. E no último dos quatro turnos, reuniu-se o GT (Grupo de Trabalho) com representantes dos dez campi e servidores participantes da discussão para criação de uma Editora da Unipampa.
Na quarta-feira de manhã, Drª Leilah Bufrem (UFPR) apresentou um relato apaixonado, falando de seu amplo percurso profissional, contando um pouco da história das primeiras editoras criadas nas Universidades, passando pela mais antiga do Brasil: a Universidade Federal do Paraná, fundada em 1912. Prosseguiu com a descrição de experiências na Universidade de Brasília e de Campinas. De acordo com ela, o diferencial de uma editora universitária, em comparação com as outras, é a própria vinculação da proposta com a instituição de ensino, com as finalidades orientadas às três grande atividades (Ensino, Extensão e Pesquisa). Porém, não há modelo, porque a dinâmica se estrutura nas condições concretas, de acordo com os sujeitos envolvidos, das contingências políticas da Universidade, relações de trabalho, de poder, de produção de conhecimento... estabelecidas em um dado ambiente. Explicou também sobre a destinação de verbas, que migrou ao longo dos anos de livros para periódicos, principalmente em vista das exigências no processo de avaliação da CAPES; e acerca do suporte digital para estes periódicos, que traz a possibilidade de menor gasto com impressão. De acordo com Leilah, o livro é uma unidade de uma máquina de memória: pode ser entendido para além do códice (encadernação), enquanto quaisquer estratégias ou suportes para a escrita, desde os primeiros tabletes de argila e pergaminhos; o que temos hoje na rede, de certa forma, é um novo tipo de "rolo", como o pergaminho.
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| Dr Gutierre (Foto: Giovani Andreoli) |
Quarta-feira à tarde foi a vez do Dr Jézio Hernani Bomfim Gutierre (UNESP) conduzir uma palestra em um tom descontraído, avaliando inicialmente a história da publicação de conteúdo científico como resultado da tradição de trocas de informação em comunidade, do intercâmbio democrático dessacralizado (tradição gnoseológica e epistemológica), implicando na necessidade de bibliografia extensa. Com a necessidade disseminar conhecimento, de ler o que os outros pensam em toda a parte, surgiu a imprensa e então os editores, muito mais sistemáticos que os copiadores. Ele citou Cambridge como a primeira Universidade a ter uma editora propriamente registrada, e a Editora de Chicago (1892), que prescedeu a Universidade em si. De modo geral, a circulação e a aceitação mais ampla possível são os objetivos norteadores de qualquer editora, ou seja: almejar o mercado de leitura. Quando se trata de Universidades públicas, o uso do dinheiro público torna ainda mais importantes a boa constituição dos critérios de seleção e dos canais de distribuição. No contexto amplo de informação disponível hoje, a visibilidade de títulos é muito maior quando se publica não simplesmente "na rede", e sim dentro de portais que selecionam e organizam a informação, os chamados "sites de prestígio" como, por exemplo, a Amazon.
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| Painelistas (Foto: Giovani Andreoli) |
A quinta-feira de manhã foi o momento do “Painel Editoras Universitárias: panorama atual e perspectivas”. Jerônimo Carlos Santos Braga (PUC-RS /ABEU) falou sobre ampliação da importância da Extensão universitária, os “três princípios base” (interdisciplinariedade, inovação e internacionalização), a presença ainda significativa do livro físico (o mercado norte-americano, onde o e-book se desenvolve mais, vendeu 335 milhões de dólares de impressos contra 299 digitais), sustentabilidade financeira e valorização da marca da Universidade. Também fez a observação importante de que o custo de uma gráfica torna-a desnecessária ao funcionamento da editora em uma Universidade. Carlos Alberto Torres Gianotti (Unisinos - ABEU) apresentou a dinâmica de um escritório editorial, e conduziu uma crítica pertinente à produção de tiragens, chamando a atenção para a importância da responsabilidade da editora universitária com o valor investido na produção, seja no setor público (impostos dos contribuintes), seja no setor privado (mensalidades pagas). Por fim, discorreu sobre o panorama nacional: cerca de um terço da população brasileira é incapaz de ler e interpretar um texto (o analfabetismo funcional), sendo os livros lidos mais comuns em temas religiosos ou de auto-ajuda); a grande dificuldade de divulgar na mídia os títulos publicados; livros acadêmicos é um dos gêneros menos prestigiados pelo público e pelos distribuidores.
Na quinta-feira de tarde, decidiu-se pela criação de uma Editora, coordenada pelo respectivo Conselho Editorial. Haverá dotação orçamentária própria. Houve a discussão das bases para a construção de um regimento. A proposta do GT da Editora vai para o Conselho Universitário. A orientação da pró-reitora de Extensão é a de que o projeto não indique um vínculo com uma pró-Reitoria específica, e sim que se constitua um órgão independente. Há que se levar em conta características da região: material histórico inexplorado, pouco costume da leitura, ambos em vista da condição de depressão econômica da região (um dos principais motivos da própria implantação da Unipampa).
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| Grupo de Trabalho (Foto: Giovani Andreoli) |




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