segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Letramento e Identidade: as fronteiras da tradução


Foto: Giovani Andreoli

O projeto de Extensão "FOCO" (Núcleo de Formação Continuada) trouxe a profª Maria Silvia Cintra Martins (UFSCar) para tratar de linguagem e identidade.

De acordo com ela, na passagem entre as fronteiras das modalidades de discurso, a tradução faz-se presente de forma problemática e paradoxal. Problematização aqui entendida como "complicação" questionadora; por exemplo, citou a expressão "fim do mundo" para trabalhar com a noção de Centro e de Fronteira geográfica, cultural, política, bem como "estrangeiro" e "língua materna".

Provocativa ao expor exemplos de discurso (um quadrinho, uma carta, uma anedota recolhida da internet), questionou o público quanto a suas impressões. Falou da forma como analisamos o que observamos, destacando diferentes gêneros de discurso e suas hibridizações, problematizando noções comumente tidas como absolutas, tais como "a escrita", "a oralidade", nos distintos canais de circulação de discurso, em diferentes línguas. Referenciou-se em autores como Mikhail Bakhtin e Iuri Lotman, e apresentou-se como adepta das teorias sócio-históricas, materialistas, presenciais, humanas. Afinal, disse, não existe ponto de vista isento, neutro, na produção de conhecimento.

A modalidade acadêmica é considerada a mais próxima do "ideal" formal, sendo a escola prescritiva e moralista. Pretende, portanto, um caráter hegemônico. Tais questões referem-se diretamente à didática escolar, a prática da sala de aula; se levarmos em conta a auto-estima e o sentimento pela língua na existência humana viva, a instituição burocrática interfere. Na academia (ensino superior), ocorre o vício da presunção, vinculado ao status de "verdade" do saber.

O olhar sobre um discurso depende do lugar pressuposto do sujeito: enquanto o coordenador tem um olhar prescritivo (diz como devem ou deveriam ser), o olhar do pesquisador é descritivo (diz como são). E há a hibridização, onde ocorre a mistura de papéis. Porém, Silvia explicou que todas as línguas são efetivamente heterogêneas; dentro da língua portuguesa haveria várias "línguas" – gêneros equivalentes a línguas, sendo que os processos de aprendizagem na transição entre um e outro gênero são muito semelhantes ao do aprendizado de outro idioma.

Como promover um diálogo intercultural, interlinguístico? A assumpção da fronteira, do trânsito, da tradução, pressupõe que a cada círculo de atividade, esfera social, ou semiosfera, o sujeito se transforma e adapta a sua linguagem. Porém, a existência de uma "semiosfera" já nomeia uma "esfera externa", caótica, um centrismo, e a negação do que não está dentro de certas regras… portanto fronteira, periferia.

Confira a palestra completa nos dois links abaixo.


Foto: Giovani Andreoli


















Vídeo da palestra (transmitida por webconferência):



terça-feira, 17 de setembro de 2013

PDI no Campus (1)


Nesta terça-feira, na primeira reunião do PDI no Campus, foram avaliados alguns pontos, dentro de cinco tópicos principais:

1) perfil institucional (histórico de implantação e desenvolvimento da instituição, propostas de novos cursos);

2) projeto pedagógico-institucional (políticas de Ensino, Pesquisa e Extensão, políticas de gestão, responsabilidade social da instituição, processos de avaliação, práticas profissionais e estágios, reflexão sobre a interdisciplinariedade buscada, mobilidade entre campi);

3) corpo docente (programa de formação, critérios de seleção, contratação e avaliação, plano de doutoramento e política de afastamento);

4) corpo técnico-administrativo (provas práticas, consulta à comunidade acadêmica para editais, plano de capacitação, doutoramento e política de afastamento);

5) corpo discente (política de matrículas, vagas de acordo com o histórico, políticas de assistência de acordo com a realidade do Campus).


Mais informações e documento completo junto à equipe diretiva, ou pelo email psicossocial@bage.unipampa.edu.br

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PDI e zoneamento do Campus

Foto: Giovani Andreoli














Às 17h30min desta segunda-feira foi realizada Assembléia Geral por convocação, de professores e técnicos-administrativos, com convite aos estudantes, onde foi apresentada a agenda interna de discussão do novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2014-2018).

Foto: Giovani Andreoli
Também foi aprovado o Zoneamento do Campus Bagé, elaborado a partir do estudo realizado pela Comissão de Obras e Espaço Físico (COEF). Houve ainda a apresentação do novo Formulário de Espaço Físico da COEF, através do qual irá funcionar um mapeamento das necessidades de uso das áreas no Campus e atuais ocupações.

Os presentes puderam lançar questões e propor sugestões a fim de garantir a continuidade do trabalho. As discussões sobre os tópicos específicos do PDI seguem nas tardes dos dias 17, 18 e 19.

Foto: Giovani Andreoli

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Astronomia para todos (3): palestra sobre galáxias


Foto: Giovani Andreoli
A partir das 17:40 desta quinta-feira, houve uma apresentação sobre a dinâmica astronômica, explicando especificamente a natureza dos corpos celestes, com a bolsista do projeto "Astronomia para todos" Elenara Oliveira.

Foram citados importantes momentos históricos e personagens referência das atuais teorias desta área de estudo, alguns pesquisadores – Galileu Galilei, William Herschel, Jacobus Kapteyn, Harlow Shapley – demonstrando a cadeia de evolução das teorias, o conhecimento anteriormente estabelecido sendo progressivamente substituído. Em destaque, o esquema de classificação de galáxias proposto por Edwin Hubble, que analisa principalmente a forma, além de observar luminosidade, cores e conteúdo das estrelas.

Após a palestra, segui-se uma sessão de observação de corpos celestes com telescópio, no pátio do Campus. O projeto é coordenado pelo prof Guilherme Marraguelo (1).



Mais informações: http://www.facebook.com/astronomia.bage

Textos anteriores: "Visita do LAB" e "Telescópio no Campus"

(1) = Professor Adjunto do Campus Bagé, coordenador do curso de Mestrado em Ensino de Ciências

Desenvolvimentos de Cidades de Fronteira


O projeto de Extensão "Ciclo de Colóquios Interdisciplinares" trouxe o palestrante prof Fábio Régio Bento (1), que tratou sobre a noção de fronteira sob o ponto de vista da Sociologia.

De acordo cm ele, esta Ciência é caracterizada como o conjunto dos estudos de situações e transformações dramáticas da sociedade. Apresenta certa semelhança com o jornalismo, no sentido de que também aborda os fatos, porém mantém-se por mais tempo na análise de um mesmo objeto.

Depois, Bento tratou sobre a fronteira como a "borda do Estado", definição de identidade coletiva, progredindo para um espaço de encontro. Inclusive, a busca da integração internacional é a política atual para a relação entre os Estados – integração paritária, inclusiva, em contraponto à integração que elimina a diferença, típica dos discursos fascistas. Neste sentido, o professor criticou a noção de fronteira como um problema a ser eliminado, de acordo com o qual a dissolução se torna um valor positivo. Esse discurso aparentemente "libertário", utópico, é típico do pensamento neo-liberal, do Estado mínimo, do Capital sem controle.

Bento também explicou que O Direito demora muito para evoluir junto com as novas demandas da sociedade, e que as leis são direcionadas para quem vive no miolo do Estado, não para quem vive no transbordamento. Isso é muitas vezes é caracterizado como "subversivo" à lógica estatal. Comparou as noções de "contrabando", das pequenas trocas praticadas no cotidiano micropolítico, e de "livre comércio" proposto na macropolítica.

Após a palestra, seguiu-se uma detalhada apresentação, com análises comparativas, da atuação internacional com relação a de outros países, explicando diferentes aspectos de atividades através das fronteiras – como o "Plano Nacional de Turismo" (2013 - 2016), com objetivos tais como incentivar viagens pelo país, apoio à pesquisa, inovação e conhecimento, e suporte a grandes eventos.




(1) Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade São Tommaso D'Aquino (Roma), Tese sobre o pensamento social na Igreja católica e o Movimento socialista.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um trajeto para a Ética no pensamento de Michel Foucault: O "cuidado de si"


Foto: Giovani Andreoli
O "4º Encontro Filosófico" do projeto de Extensão "Filosofia para todos" (1) trouxe a filósofa Tulipa Martins Meireles (2). Ela apresentou um resumo da obra do pensador Michel Foucault, tratando da ética com é abordada pelo autor: enquanto campo de questionamentos na busca de ampliação da liberdade para o sujeito, a partir do rompimento com tradições normativas da conduta, com a constituição de um sujeito universalista.

Meireles trouxe uma breve apresentação da personalidade histórica do autor, bem como dos autores nos quais se fundamentou (Sade, Artaud, Nietzsche, Bataille, Marx e Freud) e que o acompanharam ou procederam (Derrida, Guattari, Deleuze). Foucault é identificado em suas três fases de produção teórica: a Arqueologia do saber filosófico, a Genealogia do poder (com críticas do sujeito) e as Práticas de subjetivação (a fase de caráter positivo, de afirmação do sujeito). Nos anos setenta, na fase Genealógica, foi quando explorou as relações entre o ser e o poder, que se refletem nos códigos, nos costumes, e até mesmo na construção da arquitetura dos espaços de convivência. Delimitou o poder "soberano" e o poder "disciplinar", sendo este segundo mais sutil e depende de uma submissão contínua do sujeito (citou como exemplo a consagrada obra de George Orwell, "1984").

"Cuidado de si" é um conceito da terceira fase, a qual busca afirmar alternativas à captura pelo poder da instituição sobre o sujeito. Trabalha ali a relação do ser consigo próprio, propondo escapar da normatividade e universalidade de princípios, citando a "Hermenêutica do sujeito" e a "História da sexualidade". Viver é concebido como um construção artística, recorrendo a idéias de tradições da Antiguidade grega, como o epicurismo, cinismo, estoicismo. Os séculos II e III seriam um período de crise da sociedade, o que propiciou experimentações de um pensamento que se desvencilha

Foto: Giovani Andreoli
A moral é vista aqui enquanto um campo amplo que inclui o código moral, a moralidade, e a ética propriamente dita. Contrapõe às noções Platão de vínculo entre o cuidado de si e da comunidade onde se insere o sujeito, produzindo uma circularidade de finalidade e reciprocidade. Foucault enfatiza uma "arte" ou "técnica" de si mesmo, da condução de sua própria vida e constituição do sujeito desvinculado da instrumentalidade coletiva, seja nas regras coercitivas da sociedade ou em um "plano transcendental", diante do qual o nosso mundo sensível seria uma falsa aparência. Foucault também critica o mecanismo da prática fundada pela cultura cristã de "confissão e conversão", que produz uma "ruptura" ou negação do próprio sujeito. O que ele propõe, no lugar disso, é a construção da própria vida enquanto uma obra, uma ordem que se mantém por sua coerência interna, a partir de regras propostas pelo próprio sujeito.

O "eu cartesiano" ou "eu absoluto" caracteriza a lógica da modernidade, e a crítica trata-se de uma ética da imanência (do mundo, oposto à transcendência), da vigilância (do trabalho contínuo) e da distância (avaliar os seus próprios afetos), a experimentação estética da própria existência. De qualquer modo, destacou que não existem fórmulas prontas nesta proposta, exatamente por ser invenção e fuga das instituições.



Vídeo da palestra (transmitida por webconferência):
http://webconf.unipampa.edu.br/p51599311/

(1) Promovido pelo Curso de Engenharia Química, é coordenado pelo professor Marcilio Machado Morais.

(2) Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPEL.


Contato: eqfilosofia@gmail.com

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Jornal Folha do Sul


Importante reportagem:

"Gerson Luis Quevedo Bauerman, de 35 anos, acadêmico da Universidade Federal do Pampa, Licenciatura em Matemática, ficou cego há 10 anos. Estar na universidade sempre foi um sonho seu e da sua família. Ele conta que está se virando, e que, até agora, tudo está correndo bem. 'Eu não sei o que vem pela frente', pondera. Para auxiliar nas atividades, o aluno faz uso de programas especiais de computador para deficientes visuais e conta com a ajuda de monitores, que o ajudam no turno inverso das aulas."