O Projeto de Extensão “Filosofia para todos” abordou a ética com os animais
por Giovani Andreoli
| Foto: Giovani Andreoli |
Prof Everton Miguel Puhl Maciel, Filósofo e Mestre em Filosofia (UFPEL) propôs uma reflexão a respeito da forma como nos relacionamos com outros os seres vivos, e da responsabilidade do uso consciente do poder que nossa civilização dispôe.
Ele trouxe como autor de referência em sua palestra Peter Singer, teórico descrito como sólido no diálogo com correntes de pensamento muito antigas, dentre as quais o materialismo de Hume, de onde surge o conceito de utilitarismo. Singer contrapõe-se a outra corrente de estudo da Ética e Filosofia Política, identificado como contratarismo, ou pacto social (representado na história da Filosofia por Hobbes, pela "direita", e por Russeau, pela "esquerda"). O princípio último de moralidade em sua obra caracteriza-se como um "minimalismo", que busca embasamento em elementos empíricos amplamente consensuais. Entre as possibilidades de desenvolvimento da noção de utilitarismo (de regras, de atos, de princípios), centrou na noção do "empirismo de atos".
A grande originalidade de Singer é a proposta de estender o princípio da igual consideração de interesses dos seres humanos para os animais. Parte da noção de "ser senciente", que é a possibilidade de sentir (dor, prazer, auto-consciência). Nesse sentido, ele aproxima animais de bebês e deficientes mentais, no sentido da capacidade humana de raciocínio; e em certos aspectos, a consciência é ainda mais desenvolvida em animais. Citou ainda a questão da subjetividade do prazer e do sofrimento, e que é efetivamente impossível "colocar-se no lugar do outro".
| Foto: Giovani Andreoli |
Maciel refletiu sobre o costume de consumir carne como convenção dos (outros) animais enquanto máquina de transformar a vegetação em nutriente. Então, pôs em questão se o sabor da carne ingerida é mais importante do que o sofrimento ou a continuidade da vida do animal que a fornece. Para Singer, a carne é mais do que um alimento, dentro do nosso contexto de sociedade urbanizada de agricultura desenvolvida: é um "alimento de luxo". A redução de custos e ampliação de produção e distribuição virtualmente sem limites, que caracterizam a industrialização, são possíveis apenas a partir do sofrimento produzido sobre seres sencientes; por exemplo, o confinamento está intimamente ligado à noção de aprimoramento do sabor, demanda da indústria. Ele então contrapôs a condição da produção artesanal de animais para consumo da carne (criação caseira), que não seria tão criticada por Singer.
Noutro momento, falou da questão do uso de animais para experimentações científicas: no uso na pesquisa para a saúde humana, no campo militar, e mesmo nas aplicações em produtos estéticos. Em sua grande maioria, as pesquisas teriam experiências possíveis com substitutivos aos animais vivos, ou simplesmente não têm justificativa útil.
Vídeo da aula (transmitida por webconferência):
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