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| Foto: Giovani Andreoli |
O projeto de Extensão "FOCO" (Núcleo de Formação Continuada) trouxe a profª Maria Silvia Cintra Martins (UFSCar) para tratar de linguagem e identidade.
De acordo com ela, na passagem entre as fronteiras das modalidades de discurso, a tradução faz-se presente de forma problemática e paradoxal. Problematização aqui entendida como "complicação" questionadora; por exemplo, citou a expressão "fim do mundo" para trabalhar com a noção de Centro e de Fronteira geográfica, cultural, política, bem como "estrangeiro" e "língua materna".
Provocativa ao expor exemplos de discurso (um quadrinho, uma carta, uma anedota recolhida da internet), questionou o público quanto a suas impressões. Falou da forma como analisamos o que observamos, destacando diferentes gêneros de discurso e suas hibridizações, problematizando noções comumente tidas como absolutas, tais como "a escrita", "a oralidade", nos distintos canais de circulação de discurso, em diferentes línguas. Referenciou-se em autores como Mikhail Bakhtin e Iuri Lotman, e apresentou-se como adepta das teorias sócio-históricas, materialistas, presenciais, humanas. Afinal, disse, não existe ponto de vista isento, neutro, na produção de conhecimento.
A modalidade acadêmica é considerada a mais próxima do "ideal" formal, sendo a escola prescritiva e moralista. Pretende, portanto, um caráter hegemônico. Tais questões referem-se diretamente à didática escolar, a prática da sala de aula; se levarmos em conta a auto-estima e o sentimento pela língua na existência humana viva, a instituição burocrática interfere. Na academia (ensino superior), ocorre o vício da presunção, vinculado ao status de "verdade" do saber.
O olhar sobre um discurso depende do lugar pressuposto do sujeito: enquanto o coordenador tem um olhar prescritivo (diz como devem ou deveriam ser), o olhar do pesquisador é descritivo (diz como são). E há a hibridização, onde ocorre a mistura de papéis. Porém, Silvia explicou que todas as línguas são efetivamente heterogêneas; dentro da língua portuguesa haveria várias "línguas" – gêneros equivalentes a línguas, sendo que os processos de aprendizagem na transição entre um e outro gênero são muito semelhantes ao do aprendizado de outro idioma.
O olhar sobre um discurso depende do lugar pressuposto do sujeito: enquanto o coordenador tem um olhar prescritivo (diz como devem ou deveriam ser), o olhar do pesquisador é descritivo (diz como são). E há a hibridização, onde ocorre a mistura de papéis. Porém, Silvia explicou que todas as línguas são efetivamente heterogêneas; dentro da língua portuguesa haveria várias "línguas" – gêneros equivalentes a línguas, sendo que os processos de aprendizagem na transição entre um e outro gênero são muito semelhantes ao do aprendizado de outro idioma.
Como promover um diálogo intercultural, interlinguístico? A assumpção da fronteira, do trânsito, da tradução, pressupõe que a cada círculo de atividade, esfera social, ou semiosfera, o sujeito se transforma e adapta a sua linguagem. Porém, a existência de uma "semiosfera" já nomeia uma "esfera externa", caótica, um centrismo, e a negação do que não está dentro de certas regras… portanto fronteira, periferia.
Confira a palestra completa nos dois links abaixo.
Confira a palestra completa nos dois links abaixo.
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| Foto: Giovani Andreoli |
Vídeo da palestra (transmitida por webconferência):


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