| Foto: Giovani Andreoli |
O "4º Encontro Filosófico" do projeto de Extensão "Filosofia para todos" (1) trouxe a filósofa Tulipa Martins Meireles (2). Ela apresentou um resumo da obra do pensador Michel Foucault, tratando da ética com é abordada pelo autor: enquanto campo de questionamentos na busca de ampliação da liberdade para o sujeito, a partir do rompimento com tradições normativas da conduta, com a constituição de um sujeito universalista.
Meireles trouxe uma breve apresentação da personalidade histórica do autor, bem como dos autores nos quais se fundamentou (Sade, Artaud, Nietzsche, Bataille, Marx e Freud) e que o acompanharam ou procederam (Derrida, Guattari, Deleuze). Foucault é identificado em suas três fases de produção teórica: a Arqueologia do saber filosófico, a Genealogia do poder (com críticas do sujeito) e as Práticas de subjetivação (a fase de caráter positivo, de afirmação do sujeito). Nos anos setenta, na fase Genealógica, foi quando explorou as relações entre o ser e o poder, que se refletem nos códigos, nos costumes, e até mesmo na construção da arquitetura dos espaços de convivência. Delimitou o poder "soberano" e o poder "disciplinar", sendo este segundo mais sutil e depende de uma submissão contínua do sujeito (citou como exemplo a consagrada obra de George Orwell, "1984").
"Cuidado de si" é um conceito da terceira fase, a qual busca afirmar alternativas à captura pelo poder da instituição sobre o sujeito. Trabalha ali a relação do ser consigo próprio, propondo escapar da normatividade e universalidade de princípios, citando a "Hermenêutica do sujeito" e a "História da sexualidade". Viver é concebido como um construção artística, recorrendo a idéias de tradições da Antiguidade grega, como o epicurismo, cinismo, estoicismo. Os séculos II e III seriam um período de crise da sociedade, o que propiciou experimentações de um pensamento que se desvencilha
| Foto: Giovani Andreoli |
A moral é vista aqui enquanto um campo amplo que inclui o código moral, a moralidade, e a ética propriamente dita. Contrapõe às noções Platão de vínculo entre o cuidado de si e da comunidade onde se insere o sujeito, produzindo uma circularidade de finalidade e reciprocidade. Foucault enfatiza uma "arte" ou "técnica" de si mesmo, da condução de sua própria vida e constituição do sujeito desvinculado da instrumentalidade coletiva, seja nas regras coercitivas da sociedade ou em um "plano transcendental", diante do qual o nosso mundo sensível seria uma falsa aparência. Foucault também critica o mecanismo da prática fundada pela cultura cristã de "confissão e conversão", que produz uma "ruptura" ou negação do próprio sujeito. O que ele propõe, no lugar disso, é a construção da própria vida enquanto uma obra, uma ordem que se mantém por sua coerência interna, a partir de regras propostas pelo próprio sujeito.
O "eu cartesiano" ou "eu absoluto" caracteriza a lógica da modernidade, e a crítica trata-se de uma ética da imanência (do mundo, oposto à transcendência), da vigilância (do trabalho contínuo) e da distância (avaliar os seus próprios afetos), a experimentação estética da própria existência. De qualquer modo, destacou que não existem fórmulas prontas nesta proposta, exatamente por ser invenção e fuga das instituições.
(1) Promovido pelo Curso de Engenharia Química, é coordenado pelo professor Marcilio Machado Morais.
(2) Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPEL.
Mais informações: http://eqfilosofia.wordpress.com
Contato: eqfilosofia@gmail.com
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