por Flávia Azambuja (1),
Giovani Andreoli (2)
e Greice Kelly Jorge(3)
publicado originalmente no Jornal Universitário do Pampa http://www.junipampa.net
No dia 8 de abril ocorreu a oficina “Gramática: uma descrição para o ensino”, com a professora Silvana Silva, na Unipampa, campus Bagé. Essa oficina foi uma realização do Núcleo de Didatização de Saberes, projeto de extensão que faz parte do Observatório de Aprendizagem.
A oficina, segundo a professora Silvana, teve como objetivo problematizar um tópico gramatical, propor uma descrição com viés semântico e também reflexões sobre possíveis efeitos positivos deste enfoque no ensino de Gramática na Educação Básica.
Ela explicou que há pouca bibliografia a respeito da forma como as pessoas se apropriam do conhecimento sobre a Gramática. Nesse sentido, a própria estrutura de composição das gramáticas organiza-se em um raciocínio circular, autorreferente, que remete a outros termos técnicos dentro da própria gramática. No material distribuido pela professora era citada uma pesquisa feita junto a trinta e dois professores em São Paulo, após um curso de formação, que indicou que 90% afirmam que a gramática serve para os alunos escreverem melhor, porém apenas 30% assumem que quantidade de exercícios propostos é sinônimo de “prática gramatical”. Em outras palavras, reconhecem que não é possível ensinar somente decorando a sintaxe.
Depois, Silvana falou sobre a pontuação no sentido amplo, como qualquer “sinal diacrítico (ou seja, não alfabético), ou um elemento de relevo no texto. Nesse sentido, professores de séries fundamentais costumam ensinar que a pontuação funciona como "entonação", porém esta descrição reduz a língua escrita a apenas uma representação gráfica da língua falada, o que não é verdade. Há uma grande liberdade de uso da pontuação se considerarmos os gêneros de textos em circulação. De qualquer modo, existem três funções básicas comuns a todo processo de pontuação: sintática (ou de separação), semântica (ou afetiva) e enunciativa (ou atualizadora). A professora demonstrou em seus exemplos que há casos em que uma das funções se sobressai, porque todas sempre estão presentes. E melhor seria, diz Silvana, procurar estratégias de ensino em que o aluno compare os sinais de pontuação, criando frases semelhantes.
A procura pela oficina foi grande, 41 participantes. Entre eles, havia alunos de Letras, professores e outros visitantes. Apesar de alguns participantes não trabalharem com o tema em seu dia-a-dia e se mostrarem perplexos, com a nova abordagem dada ao tema, a maioria se mostrou intrigada e muito interessada pelo tema.
Na segunda metade da oficina, os participantes trabalharam em pequenos grupos, realizando uma atividade de discussão. Ao final, já receberam os certificados de participação (com carga horária de 3 horas), demonstrando a agilidade da equipe de organização.
(1) = acadêmica do curso de Licenciatura em Letras, Unipampa Campus Bagé, integrante do projeto de Extensão que produz o Jornal Universitário do Pampa
(2) = técnico na Unipampa, integrante do projeto de Extensão que produz o Jornal Universitário do Pampa
(3) = acadêmica do curso de Licenciatura em Letras, Unipampa Campus Bagé, integrante do projeto de Extensão que produz o Jornal Universitário do Pampa



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