quarta-feira, 24 de abril de 2013

Palestra "Um deus escondido"

O Projeto de Extensão “Filosofia para todos” abordou a relevância da Teologia para a História da Ciência

por Marcilio Morais (1),
Luciana Rodrigues (2)
e Giovani Andreoli (3)

publicado originalmente no Jornal Universitário do Pampa http://www.junipampa.net


Foto: Giovani Andreoli (3)

O Projeto de Extensão “Filosofia para Todos” nasceu a partir de um anseio da comunidade acadêmica, principalmente da área das Engenharias, por maior contato com a área das humanidades. A área da Filosofia mostrou-se uma ferramenta poderosa para atender essa demanda, pois une o rigor do método investigativo e de demonstração (parte do método científico atual) com a especulação teórica de temas caros às pessoas em geral (como estética, política, ética, epistemologia e metafísica).

À primeira vista a aproximação da Filosofia com as Ciências Exatas pode parecer estranha, porém justifica-se nesse retorno da Filosofia às suas origens. Os encontros propostos pelo Projeto de Extensão “Filosofia para Todos” abrem espaço para a reflexão, o debate, a crítica e os questionamentos a cerca de temas de interesse dos estudantes, servidores da universidade e comunidade em geral. Em 2013, segue em sua segunda edição, com a renovação da equipe original, agora sob a coordenação do professor Marcilio Machado Morais e com a colaboração da aluna voluntária Steffany Rincon Peters, integrante do Programa PET-Engenharias. Ocorre mensalmente nas segundas quartas-feiras de cada mês.

No mês de abril, o II Encontro Filosófico contou com o Doutorando em Filosofia da UFRGS, Cristiano Junta, que nomeou sua palestra “Um Deus Escondido: uma investigação sobre a reflexão de David Hume sobre a Religião Natural". Ele apresentou principalmente a visão do filósofo escocês David Hume, tratando sobre a possibilidade de apreensão racional da idéia de Deus a partir da obra “Os Diálogos da Religião Natural”. Nesse sentido, Junta versou sobre “Filosofia da Ciência” a partir da questão teológica. Primeiro, avaliou o que os pensadores da igreja puderam alcançar, quais os métodos de reflexão que utilizaram. Depois, passou por Pascal, filósofo francês que trabalhou com a noção de "fideismo", a aceitação de Deus como um ato de fé na ausência de prova racional, pensando a aceitação como "revelação", um sentimento… Isso em oposição ao pensamento filosófico corrente na época, como por exemplo o exercício racional de Descartes, que propunha provar logicamente que Deus não existe. Hume teria assumido uma posição agnóstica, ele escreveu diálogos entre três personagens fictícias, em doze partes, discutindo não propriamente a respeito da existência de Deus, e sim de sua natureza.

Dentro das idéias analisadas, temos a visão antrocêntrica de uma causa para o aparente ordenamento do universo que observamos, uma espécie de "desígnio" ou pensamento anterior à natureza, como um "governo inteligente" sobre tudo que existe. Esse "autor da natureza" seria semelhante à mente humana, nessa visão, porém em uma escala incalculavelmente mais complexa. Hoje conhecemos essa tendência do pensamento como “criacionismo” e ela não é aceita pela atual Ciência exatamente porque nela questionamos a desproporção da escala entre o ser humano e o resto do universo, sendo uma “parcialidade antropomórfica” propor que o todo teria natureza semelhante a uma parte tão ínfima como nós. Por outro lado, a noção de uma organização total do universo, (que funcionaria como certa ordenação encontrada também em cada uma de suas partes e sub-partes avançando até as partículas mais essenciais) aproxima-se do que hoje conhecemos como Pensamento Sistêmico.

Temas complexos como esse derivam em inúmeras discussões e não é pretensão nossa desenvolvê-las aqui. Mais importante é tentar transmitir a relevância desse projeto, reforçando o convite a comunidade acadêmica e não acadêmica.



(1)  professor da Unipampa
(2)  professora na Unipampa (Engenharia Química) e integrante do projeto
(3)  psicólogo social institucional, técnico administrativo na Unipampa



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