por Marcilio Morais (1),
Luciana Rodrigues (2)
e Giovani Andreoli (3)
publicado originalmente no Jornal Universitário do Pampa http://www.junipampa.net
Luciana Rodrigues (2)
e Giovani Andreoli (3)
publicado originalmente no Jornal Universitário do Pampa http://www.junipampa.net
Foto: Giovani Andreoli (3)
O
Projeto de Extensão “Filosofia para Todos” nasceu a partir de um anseio
da comunidade acadêmica, principalmente da área das Engenharias, por
maior contato com a área das humanidades. A área da Filosofia mostrou-se
uma ferramenta poderosa para atender essa demanda, pois une o rigor do
método investigativo e de demonstração (parte do método científico
atual) com a especulação teórica de temas caros às pessoas em geral
(como estética, política, ética, epistemologia e metafísica).
À
primeira vista a aproximação da Filosofia com as Ciências Exatas pode
parecer estranha, porém justifica-se nesse retorno da Filosofia às suas
origens. Os encontros propostos pelo Projeto de Extensão “Filosofia para
Todos” abrem espaço para a reflexão, o debate, a crítica e os
questionamentos a cerca de temas de interesse dos estudantes, servidores
da universidade e comunidade em geral. Em 2013, segue em sua segunda
edição, com a renovação da equipe original, agora sob a coordenação do
professor Marcilio Machado Morais e com a colaboração da aluna
voluntária Steffany Rincon Peters, integrante do Programa
PET-Engenharias. Ocorre mensalmente nas segundas quartas-feiras de cada
mês.
No
mês de abril, o II Encontro Filosófico contou com o Doutorando em
Filosofia da UFRGS, Cristiano Junta, que nomeou sua palestra “Um Deus
Escondido: uma investigação sobre a reflexão de David Hume sobre a
Religião Natural". Ele apresentou principalmente a visão do filósofo
escocês David Hume, tratando sobre a possibilidade de apreensão racional
da idéia de Deus a partir da obra “Os Diálogos da Religião Natural”.
Nesse sentido, Junta versou sobre “Filosofia da Ciência” a partir da
questão teológica. Primeiro, avaliou o que os pensadores da igreja
puderam alcançar, quais os métodos de reflexão que utilizaram. Depois,
passou por Pascal, filósofo francês que trabalhou com a noção de
"fideismo", a aceitação de Deus como um ato de fé na ausência de prova
racional, pensando a aceitação como "revelação", um sentimento… Isso em
oposição ao pensamento filosófico corrente na época, como por exemplo o
exercício racional de Descartes, que propunha provar logicamente que
Deus não existe. Hume teria assumido uma posição agnóstica, ele escreveu
diálogos entre três personagens fictícias, em doze partes, discutindo
não propriamente a respeito da existência de Deus, e sim de sua
natureza.
Dentro
das idéias analisadas, temos a visão antrocêntrica de uma causa para o
aparente ordenamento do universo que observamos, uma espécie de
"desígnio" ou pensamento anterior à natureza, como um "governo
inteligente" sobre tudo que existe. Esse "autor da natureza" seria
semelhante à mente humana, nessa visão, porém em uma escala
incalculavelmente mais complexa. Hoje conhecemos essa tendência do
pensamento como “criacionismo” e ela não é aceita pela atual Ciência
exatamente porque nela questionamos a desproporção da escala entre o ser
humano e o resto do universo, sendo uma “parcialidade antropomórfica”
propor que o todo teria natureza semelhante a uma parte tão ínfima como
nós. Por outro lado, a noção de uma organização total do universo, (que
funcionaria como certa ordenação encontrada também em cada uma de suas
partes e sub-partes avançando até as partículas mais essenciais)
aproxima-se do que hoje conhecemos como Pensamento Sistêmico.
Temas
complexos como esse derivam em inúmeras discussões e não é pretensão
nossa desenvolvê-las aqui. Mais importante é tentar transmitir a
relevância desse projeto, reforçando o convite a comunidade acadêmica e
não acadêmica.
(1) professor da Unipampa
(2) professora na Unipampa (Engenharia Química) e integrante do projeto
(3) psicólogo social institucional, técnico administrativo na Unipampa


Nenhum comentário:
Postar um comentário